Atualização da previsão do Índice de Oscilação El-Niño
Conteúdo atualizado a 14 de agosto de 2026
Fenómeno El-Niño intensificou-se no Pacífico equatorial
De acordo com o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (CPC/NOAA), dos EUA, à data de 11 de agosto de 2026, a temperatura da superfície do oceano (SST) no Pacifico equatorial revelava que as condições de El-Niño se intensificaram, verificável no valor médio de SST de +1.0ºC acima do normal, na região 3.4 (ver região na Figura 2), no trimestre entre Maio e Julho (MJJ).
À data desta atualização, o valor de SST médio da última semana, na região indicada (Niño3.4), era de cerca de +1.8ºC acima do normal.
A circulação atmosférica observada na região do Pacífico Equatorial é coincidente com um episódio de El-Niño.
Em episódios passados de El-Niño intenso verificaram-se, igualmente, valores elevados de anomalia de SST no trimestre de Maio a Julho (MMJ) na região Niño3.4 - por exemplo, em 2015, observou-se uma anomalia de +1.03ºC; em 1997, uma anomalia de +1.34ºC e, em 1982, +0.82ºC.
A Organização Meteorológica Mundial (WMO) corrobora a informação da NOAA, salientando ainda que, dada a forte possibilidade de evolução para uma intensidade forte do fenómeno El-Niño, poderão aumentar os riscos de ocorrência de eventos climáticos extremos em diversas regiões do planeta, com especial destaque para a faixa tropical e equatorial. Entre estes impactos incluem-se ondas de calor, episódios de seca e eventos de precipitação intensa, principalmente na faixa equatorial do planeta.
As projeções atuais do modelo de previsão sazonal da NOAA indicam uma probabilidade superior a 97% de permanência de condições de El-Niño até ao início da primavera de 2027. De acordo com o NOAA/NCEP, a probabilidade de que este evento de El-Niño se torne um evento muito forte até ao final de 2026 é, atualmente, da ordem dos 95% (mais informações em: https://cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/enso/roni/strengths/).
Nos últimos dias, foi também revelado por parte da NOAA de que existia uma probabilidade de 69% de que este evento de El-Niño possa ter caracterísitcas recorde até ao final do ano.
Previsão sazonal multimodelo
Atualmente, as projeções de diversos modelos de previsão sazonal (Figura 2) continuam a apontar para uma intensificação muito significativa das anomalias das águas superficiais do oceano na região Niño3.4 (Figura 1), durante os próximos meses, prevendo-se que atinjam o seu pico no final de 2026.
À data desta atualização, as projeções mais recentes começam, contudo, a sugerir uma possível desintensificação do fenómeno El Niño a partir do início de 2027. No entanto, esta evolução deverá ser interpretada cautelosamente, uma vez que as previsões sazonais estão sujeitas a níveis consideráveis de incerteza, particularmente para horizontes temporais mais longos. Assim, embora os diferentes modelos apresentem atualmente um sinal consistente quanto à intensificação do fenómeno durante os próximos meses, a magnitude do seu pico e a rapidez da sua posterior desintensificação permanecem incertas.
A previsão sazonal do C3S/ECMWF (SEAS5.1), inicializada em agosto de 2026, indica a persistência de anomalias positivas da temperatura da superfície do mar na região Niño3.4 ao longo do período de previsão, estendendo-se até fevereiro de 2027 (Fig. 3).
A mediana do conjunto de previsões aponta para um reforço gradual destas anomalias durante os meses seguintes, atingindo os valores mais elevados no final do outono de 2026, seguido de um enfraquecimento progressivo, embora mantendo valores positivos até ao início de 2027. No entanto, note-se que a dispersão verificada entre os membros do ensemble aumenta com o horizonte temporal da previsão, refletindo a crescente incerteza associada às previsões sazonais realizadas a uma distância temporal maior.
Qual a influência do índice ENSO em Portugal Continental?
Em Portugal, a influência do El-Niño é indireta e menos significativa quando comparada com outras regiões do planeta, como a América do Sul ou a Austrália.
Alguns estudos revelam que o principal mecanismo de ligação é através da Oscilação do Atlântico Norte (NAO), que por sua vez condiciona os indicadores climáticos relacionados com a precipitação e com a temperatura do ar na Península Ibérica, principalmente durante o inverno do Hemisfério Norte.
Para saber mais, aconselhamos a consulta da seguinte informação: Qual a influência do índice ENSO em Portugal continental?
Conceitos a reter
ENSO
O El Niño-Southern Oscillation (ENSO) é um padrão climático natural que envolve interações diretas entre o oceano e a atmosfera no Oceano Pacífico tropical. Alterna entre fases mais quentes (El Niño), mais frias (La Niña) e neutras, influenciando precipitação, temperatura e circulação atmosférica em algumas partes do Globo, principalmente na faixa tropical/equatorial. É uma das fontes mais importantes de variabilidade climática de ano para ano.
El Niño
Fase positiva do ENSO. É um fenómeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental, alterando a circulação atmosférica global e os padrões de temperatura e precipitação. Anos de El-Niño normalmente são mais quentes, globalmente, do que anos de La-Niña.
La Niña
Fase negativa do ENSO. É um fenómeno climático caracterizado pelo arrefecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental, produzindo efeitos geralmente opostos aos do El Niño.
Na Figura 6 podemos verificar quais os principais efeitos e impactos do fenómeno El-Niño (fase positiva do ENSO) na precipitação e temperatura no globo. É importante notar que estes impactos são os mais esperados tendo em conta estudos climatológicos referentes a episódios passados, não significando que serão impactos certos nos próximos meses.

Figura 4. Padrões de precipitação esperados, em todo o globo, em anos de El-Niño. Fonte da imagem: IRI/NOAA; https://www.climate.gov/media/4663