Junho de 2026
O mês de junho de 2026 em Portugal Continental foi classificado como muito quente e muito seco.
A temperatura média do ar atingiu 22.40 °C, valor +2.05 °C acima da média climatológica de 1991-2020, tornando-o o 4º mais quente desde 1931. Na temperatura máxima, a 5ª mais elevada desde 1931, registou-se um valor médio de 29.35 °C, cerca de +2.65 °C acima do normal. Na temperatura mínima, a 4ª mais elevada desde 1931, atingiu-se 15.46°C, correspondendo a um desvio de +1.45 °C face ao valor climatológico.
Relativamente à precipitação, verificou-se um total mensal de 6.9 mm, muito inferior aos valores normais 1991-2020, correspondendo a 30% dos mesmos.
Continuou a tendência de diminuição dos valores de água no solo, com maior incidência na Região do interior Norte, onde alguns concelhos apresentam valores inferiores a 10%. Verificou-se, no final de junho, o aparecimento da seca meteorológica, nos distritos do litoral Norte e nos distritos a Sul de Coimbra.
Foram registados 3 novos extremos do maior valor da temperatura mínima do ar, Vinhais, Bragança e Montalegre.
ACEDA AO HISTÓRICO MODELADO
Qual a influência do fenómeno El-Niño em Portugal continental?
O conhecimento científico atual indica que a influência do ENSO (El Niño-Southern Oscillation) em Portugal continental é indireta, fraca e menos significativa do que noutras regiões do mundo, como a América do Sul, Austrália ou África Austral. A existir, esta influência parece ocorrer sobretudo através da Oscilação do Atlântico Norte (NAO), principal modo de variabilidade atmosférica no setor Euro-Atlântico, que condiciona a precipitação e a temperatura na Península Ibérica, especialmente durante o inverno. Estudos recentes mostram que a relação ENSO-Europa não é estacionária, é dependente da época do ano e é modulada por outros fatores climáticos, não existindo evidência robusta de uma ligação consistente e estatisticamente significativa entre o ENSO e o clima em Portugal continental.
A análise observacional para o período 1990-2025 e para o período 1950-2025 reforça esta conclusão, evidenciando correlações muito fracas entre o índice ENSO (RONI) e as variáveis de precipitação e temperatura em Portugal continental, tanto para relações simultâneas como desfazadas no tempo. Embora se observe um ligeiro aumento das correlações em alguns meses do outono quando consideradas desfazagens de 2 a 4 meses, os valores permanecem baixos e insuficientes para considerar o ENSO um preditor robusto da variabilidade climática em Portugal continental.
Em conjunto, os resultados sugerem que os extremos climáticos observados em Portugal nas últimas décadas estão mais associados à variabilidade atmosférica do Atlântico Norte (e.g. NAO) do que à ocorrência de episódios de El Niño ou La Niña.
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