Boletins Mensais

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Inundações em Alcácer do Sal, após a passagem da Depressão Leonardo, em fevereiro de 2026. Crédito da fotografia: Paulo Novais / Lusa.
Fevereiro 2026

O mês de fevereiro de 2026 em Portugal Continental foi classificado como muito quente e extremamente chuvoso.

A temperatura média do ar atingiu 11.66 °C, valor 1.79 °C acima da média climatológica de 1991-2020, tornando-o o 7.º fevereiro mais quente desde que há registos. A temperatura máxima média foi de 15.62 °C, cerca de 0.91 °C acima do normal, enquanto a temperatura mínima média atingiu 7.70 °C, correspondendo a um desvio de +2.67 °C face ao valor climatológico.

Relativamente à precipitação, o mês foi o 5.º mais chuvoso desde o início dos registos e o mais chuvoso dos últimos 47 anos. Em grande parte do território, os totais mensais atingiram três a quatro vezes o valor médio de 1991-2020, ultrapassando mesmo cinco vezes o valor normal em algumas localidades, como Mora, Barreiro (Lavradio) e Alvalade do Sado.

Na primeira quinzena do mês, a precipitação intensa esteve associada à continuação da assagem sucessiva de depressões, acompanhadas pelo transporte de grandes quantidades de humidade sob a forma de rios atmosféricos. Destacaram-se as depressões Leonardo e Marta (4 a 7 de fevereiro) e as superfícies frontais associadas às depressões Nils e Oriana (10 a 13 de fevereiro), que contribuíram para episódios persistentes de precipitação.

Como consequência, o ano hidrológico de 2025/2026 registava, até 28 de fevereiro de 2026, um acumulado de 924 mm, correspondente a cerca de 1.8 vezes o valor médio, classificando-se como o mais chuvoso dos últimos 30 anos e o 6.º mais chuvoso desde 1931. Esta situação refletiu-se também no elevado teor de água no solo, com valores entre 60 % e 100 % em todos os concelhos. Em várias áreas do Norte, interior do Centro e interior do Alto Alentejo, os solos encontravam-se saturados, enquanto no nordeste transmontano se aproximavam de condições de sobressaturação.

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Campos alagados pelo Rio Sorraia, em Coruche, Santarém (janeiro de 2026). Crédito da fotografia: Carlos Pereira.
Janeiro 2026

O mês de janeiro de 2026 foi o 2.º mais chuvoso em Portugal contiental desde 2000, tendo sido classificado como quente em relação à temperatura média do ar e muito chuvoso em relação à precipitação.

Na temperatura do ar, ficou fora dos primeiros 10 janeiros desde 2000, com uma média da temperatura média do ar, 9.30 °C, +0.26 °C acima do valor normal 1991-2020. O valor médio de temperatura máxima, 12.82 °C, foi -0.53 °C inferior à média. O valor médio de temperatura mínima, 5.78 °C, foi +1.04 °C superior ao valor normal.

Na precipitação, foi o 2º mais chuvoso desde 2000. O total mensal de precipitação em janeiro, 235.0 mm, corresponde a 224% do valor médio 1991-2020. A maior parte das estações registou totais superiores ao dobro da média, e algumas chegaram a 2.5 a 3.5 vezes esse valor.

Vários episódios de depressões trouxeram precipitação contínua, neve nas regiões montanhosas do Norte e Centro, vento forte e agitação marítima, destacando-se as depressões Francis, Goretti, Ingrid, Joseph e Kristin. Durante a passagem de Kristin, registaram-se rajadas extremas, com 172,4 km/h verificados em Ansião.

O solo encontrava-se muito saturado, com níveis acima da capacidade de campo em todos os concelhos e próximos da sobressaturação em muitas áreas, sobretudo no interior Norte, Centro e litoral Sul.

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Neve na Serra da Lousã (dezembro de 2025). Crédito da fotografia: @ALV72/MeteoPt
Dezembro 2025 - resumo mensal

O mês de dezembro de 2025 foi o 7.º mais chuvoso e o 11.º mais quente em Portugal contiental desde 2000, tendo sido classificado como normal em relação à temperatura média do ar e chuvoso em relação à precipitação.

Na temperatura do ar, foi o 11º dezembro mais quente desde 2000, com uma média da temperatura média do ar, 9.94 °C, +0.19 °C acima do valor normal 1991-2020. O valor médio de temperatura máxima, 13.85 °C, foi -0.06 °C inferior à média. O valor médio de temperatura mínima, 6.04 °C, foi +0.45 °C superior ao valor normal. Durante o mês destacam-se os valores de temperatura do ar (máxima, média e mínima) acima do valor médio mensal no período de 4 a 14 dezembro e abaixo do valor médio nos dias 21, 22, 24 a 27.

Na precipitação, foi o 7º mais chuvoso desde 2000. O total mensal de precipitação em dezembro, 157.8 mm, corresponde a 137% do valor médio 1991-2020.

Assim, terminou a seca fraca que ainda existia no final de dezembro nos distritos de Évora, Beja e Faro.

Ocorreu um período frio na última década do mês, com valores de temperatura do ar muito inferiores à média, em especial na temperatura mínima. Destaca-se o dia 26 com 45% das estações a registarem valores de temperatura mínima negativos.

Ocorreu também queda de neve entre os dias 21 e 24 de dezembro em cotas superiores a 400m, em muitos locais do Norte e Centro.

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Trovoada em S. Pedro da Cadeira (Torres Vedras, Lisboa). Crédito da fotografia: Nuno Batista / @LusoSkies
Novembro 2025 - resumo mensal

O mês de novembro de 2025 foi o 3.º mais chuvoso em Portugal continental desde 2000 e o 3.º mais quente a nível Global, tendo sido classificado como normal em relação à temperatura média do ar e muito chuvoso em relação à precipitação.

Na temperatura do ar, foi o 10º novembro mais quente desde 2000, com uma média da temperatura média do ar, 12.47 °C, +0.14 °C acima do valor normal 1991-2020. O valor médio de temperatura máxima, 16.93 °C, foi 0.17 °C acima da média; o valor médio de temperatura mínima, 8.01 °C, foi 0.11 °C superior ao valor normal. Durante o mês destacam-se valores de temperatura do ar (máxima, média e mínima) predominantemente acima do valor médio mensal até dia 17 de novembro, seguido de um período frio até ao final do mês. 

Na precipitação, foi o 3º novembro mais chuvoso deste século com um total de precipitação de 202.9 mm, correspondendo a 180% do valor médio 1991-2020. Foram registados 15 novos extremos do maior valor de precipitação para novembro, dos quais cinco correspondem a extremos absolutos. Ocorreu um desagravamento da seca meteorológica em todo o território, tendo mesmo terminado nas regiões do Norte e Centro. A 30 de novembro, 21% do território estava em seca meteorológica fraca.

Foram sentidos de froma significativa os efeitos da depressão Cláudia, onde se registaram episódios de precipitação forte e prolongada, granizo e trovoadas frequentes, assim como a ocorrência de episódios de vento forte e fenómenos extremos de vento.

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Fotografia: Diogo Oliveira
Outubro 2025 - resumo mensal

O mês de outubro de 2025 foi o 2.º mais quente em Portugal continental desde que há registos (1931) e o 3.º mais quente a nível Global, tendo sido classificado como muito quente em relação à temperatura média do ar e seco em relação à precipitação.

Na temperatura do ar, foi o 2º outubro mais quente desde 1931, com uma média de temperatura média do ar, 19.00 °C, +2.21 °C acima do valor normal (1991-2020). O valor médio de temperatura máxima do ar foi a 4ª mais alta desde 1931, com 24.57ºC (+2.61ºC acima do normal) e o de temepratura mínima do ar foi a 6ª mais alta desde 1931, com o valor médio de 13.42ºC, +1.80°C em relação ao normal.

Ocorreu uma onda de calor, de 10 a 19 de outubro, em cerca de 60% das estações meteorológicas, abrangendo as regiões Norte, Centro e Alto Alentejo.

Na precipitação, o total mensal de precipitação em outubro, 86.9 mm, corresponde a 79% do valor médio 1991-2020, embora tenha ocorrido valores elevados de precipitação diária nos dias 28 e 29 na região de Lisboa e do Algarve e no dia 31 na região litoral Norte e região Centro.

Ocorreu uma diminuição da seca meteorológica na região Norte e Centro, mas existiu um agravamento da sua intensidade nas regiões Centro-Sul e Sul. No final de outubro de 2025, 66% do território estava em seca meteorológica fraca a severa.

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Nuvens altas (cirrus), em setembro de 2025.
Setembro 2025 - resumo mensal

O mês de setembro de 2025 foi o 3.º mais quente a nível Global, no entanto, foi o 6º mais frio em Portugal Continental desde o ano 2000, classificado como frio em relação à temperatura média do ar e seco em relação à precipitação.

Na temperatura do ar, foi o 6º setembro mais frio desde 1931, com uma média de temperatura média do ar, 20.10 °C, -0.41 °C abaixo do valor normal (1991-2020). O valor médio de temperatura máxima do ar foi de 26.99ºC (+0.18ºC acima do normal), mas a temepratura mínima do ar foi a 3ª mais baixa desde 2000, com o valor médio de 13.20ºC, -0.99 °C em relação ao normal.

Ocorreu um período frio, de 21 a 27 de setembro, onde 20 estações meteorológicas registaram novos extremos do menor valor da temperatura mínima do ar. Ocorreu também uma onda de calor entre os dias 14 a 20 de setembro que abrangeu alguns locais da região do interior Centro.

Na precipitação, foi o 9º setembro mais seco desde 2000, com um total médio de precipitação de 25.8 mm, corresponde a 60% do valor médio 1991-2020.

Ocorreu um aumento da área em seca meteorológica moderada no interior da região Sul e em alguns concelhos do vale do Tejo. A 30 de setembro 95% do território estava em seca meteorológica fraca a moderada.

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Praia do Beliche, Sagres. Fonte: Shutterstock
Agosto 2025 - resumo mensal

O mês de agosto de 2025 foi o 3.º mais quente a nível Global e o 5º mais quente em Portugal Continental desde 1931, classificado como muito quente em relação à temperatura média do ar e muito seco em relação à precipitação.

Temperatura do ar, foi o 5º agosto mais quente desde 1931, com uma média de temperatura média do ar, 24.40 °C, +1.49 °C acima do valor normal (1991-2020). O valor médio de temperatura máxima e mínima do ar também foram superiores à normal, +1.93 °C e +1.04 °C respetivamente.

A onda de calor ocorrida entre 29 de julho e 17 de agosto foi a mais longa já registada nas regiões do interior Norte e Centro para o período julho/agosto.

Na precipitação foi o 7º agosto mais seco desde 2000, com um total de precipitação (3.0 mm, 20 % do valor médio) inferior à normal 1991-2020. Aumento significativo da área em seca meteorológica estendeu-se a quase todo o território continental, agravamento da intensidade na região Noroeste, interior Centro-Sul e Baixo Alentejo.

2m air temperature anomalies in July 2025 for the globe and continental Europe. Source: C3S/ERA5
Anomalias de temperatura do ar a 2m em julho de 2025, na Europa e no mundo. Fonte: C3S/ERA5
Julho 2025 - resumo mensal

O mês de julho de 2025 foi o 3.º mais quente a nível Global e o 7.º mais seco em Portugal Continental, tendo sido classificado como muito quente em relação à temperatura média do ar e muito seco em relação à precipitação

Na temperatura do ar, foi o 9º julho mais quente desde 1931, com uma média de temperatura média do ar, + 1.02 °C acima do valor normal (1991-2020). O valor médio de temperatura máxima do ar foi superior à normal, +1.44°C. Nos dias 01, 03 e 16 de julho mais de 50% das estações do IPMA registaram dias muito quentes (Tmáx ≥ 35 °C), destacando-se o dia 01 com cerca de 20% das estações a registarem dias extremamente quentes (Tmáx ≥ 40 °C) e 35% das estações com noites tropicais (Tmin ≥ 20 °C). Na precipitação foi o 7º julho mais seco desde 2000, com um total de precipitação (3.3mm, cerca de 33 % do valor médio) muito inferior à normal 1991-2020. A seca meteorológica, verificou-se um aumento significativo da seca que se estendeu a 2/3 do território continental, com destaque para o agravamento na região noroeste. A 31 de julho cerca de 67% do território estava em seca meteorológica.