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Crédito: NOAA
Atualização do índice de oscilação El-Niño

O IPMA atualizou a informação sobre o fenómeno El-Niño a 14 de julho de 2026.

De acordo com o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (CPC/NOAA), dos EUA, à data de 1 julho de 2026, a informação atualizada mensalmente sobre a temperatura da superfície do oceano (SST) no Pacifico equatorial, revela que o índice ENSO - (El Niño–Southern Oscillation) já se encontra em fase de El-Niño, verificável no valor trimestral médio da SST na região 3.4 (Figura 2 no documento abaixo) de +0.5°C. Recorde-se que o índice ENSO é o indicador que mede o estado deste fenómeno de interação oceano-atmosfera e permite identificar se estamos numa situação de El-Niño ou La-Niña (fenómeno inverso ao El-Niño).

Ao longo das próximas semanas, as previsões atuais de diversos modelos de previsão sazonal apontam para uma probabilidade superior a 99% de persistência de um episódio de El-Niño até ao início de 2027 e uma probabilidade superior a 80% de se verificar um fenómeno de El-Niño muito forte.

Embora o fenómeno El-Niño ocorra no Oceano Pacífico, pode influenciar significativamente os padrões climáticos à escala global. No entanto, os seus efeitos em Portugal não são diretos nem facilmente previsíveis, pelo que o IPMA continuará a acompanhar a sua evolução e a divulgar atualizações sempre que se justifique.

Para conhecer a análise atualizada sobre o fenómeno El Niño na íntegra, consulte a notícia na íntegra.

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Crédito: NOAA
Qual a influência do fenómeno El-Niño em Portugal continental?

O conhecimento científico atual indica que a influência do ENSO (El Niño-Southern Oscillation) em Portugal continental é indireta, fraca e menos significativa do que noutras regiões do mundo, como a América do Sul, Austrália ou África Austral. A existir, esta influência parece ocorrer sobretudo através da Oscilação do Atlântico Norte (NAO), principal modo de variabilidade atmosférica no setor Euro-Atlântico, que condiciona a precipitação e a temperatura na Península Ibérica, especialmente durante o inverno. Estudos recentes mostram que a relação ENSO-Europa não é estacionária, é dependente da época do ano e é modulada por outros fatores climáticos, não existindo evidência robusta de uma ligação consistente e estatisticamente significativa entre o ENSO e o clima em Portugal continental.

A análise observacional para o período 1990-2025 e para o período 1950-2025 reforça esta conclusão, evidenciando correlações muito fracas entre o índice ENSO (RONI) e as variáveis de precipitação e temperatura em Portugal continental, tanto para relações simultâneas como desfazadas no tempo. Embora se observe um ligeiro aumento das correlações em alguns meses do outono quando consideradas desfazagens de 2 a 4 meses, os valores permanecem baixos e insuficientes para considerar o ENSO um preditor robusto da variabilidade climática em Portugal continental.

Em conjunto, os resultados sugerem que os extremos climáticos observados em Portugal nas últimas décadas estão mais associados à variabilidade atmosférica do Atlântico Norte (e.g. NAO) do que à ocorrência de episódios de El Niño ou La Niña.

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Crédito: Shutterstock/beira.pt
Período excecionalmente chuvoso em 2025/26

Entre novembro de 2025 e o final de fevereiro de 2026, Portugal continental registou um dos períodos mais chuvosos das últimas décadas, sendo o 6.º trimestre mais chuvoso desde 1931 e o mais chuvoso dos útlimso 30 anos. O ano hidrológico 2025/26 apresenta valores cerca de 2 vezes acima do normal na maioria das bacias, com várias regiões já próximas do total médio anual.

Fevereiro de 2026 foi particularmente anormal no que diz respeito à precipitação, classificando-se como o fevereiro mais chuvos dos útlimso 47 anos, com precipitação entre 300 e 400% da média em grande parte do território.

Este cenário resultou da persistência de circulação de oeste e do deslocamento para sul do Anticiclone dos Açores, que favoreceu um “comboio de depressões” em direção a território continental. Várias depressões sucessivas, incluindo as depresões Joseph, Leonardo e a tempestade Kristin, que se intensificou por um processo de ciclogénese explosiva, originando rajadas superiores a 150 km/h, provocaram precipitação persistente, cheias, inundações e deslizamentos de terra em diversas regiões do país.

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Anomalia da temperatura média do ar a 2m, a nível global, comprativamente com a normal climatológica 1991-2020. Fonte: ERA5. Crédito da imagem: C3S/ECMWF.
O clima em 2025: o 5º ano mais quente em Portugal Continental

O ano de 2025 foi o 5º mais quente desde 1931 e o 3º mais chuvoso deste século em Portugal continental.

Em 2025, o valor médio anual da temperatura média do ar, 16.47 °C foi superior em +0.81 °C ao valor normal 1991-2020.

Os últimos 4 anos estão entre os cinco mais quentes de sempre em Portugal (2022, 2023, 1997, 2024 e 2025).

O valor médio da temperatura máxima do ar foi 4º mais alto e o da temperatura mínima o 7º mais alto desde 1931, com anomalias em relação ao valor normal de +0.97 °C e +0.65 °C, respetivamente.

Em relação à precipitação, 2025 foi 3º mais chuvoso desde 2000. Há 11 anos que não havia um ano tão chuvoso em Portugal continental.

O total de precipitação anual foi 1064.8 mm com um desvio em relação ao valor normal 1991-2020 de + 245.5 mm.

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Fotografia de um dia quente em outubro de 2025, em Lisboa.
Outubro de 2025 - a 6ª onda de calor do ano em território continental

Em 2025, Portugal continental registou pelo menos 6 ondas de calor até agora, caracterizadas por temperaturas máximas excecionalmente elevadas, destacando-se episódios prolongados e intensos no final de junho e entre julho e agosto, sendo este último o mais longo de sempre nas regiões do interior Norte e Centro (29 de julho a 17 de agosto).

No início de outubro, verificou-se um novo e anómalo episódio de calor prolongado, configurando a 6.ª onda de calor do ano, que durou de 10 a 19 de outubro e afetou 65% das estações meteorológicas. As regiões mais atingidas foram Lisboa e Vale do Tejo, grande parte do Norte (Trás-os-Montes e Alto Douro) e áreas do Alto e Centro Alentejo. As estações de Mora, Pegões, Torres Vedras (Dois Portos) e Rio Maior registaram 9 dias consecutivos em onda de calor, refletindo a persistência excecional deste evento, que ocorreu fora da época habitual de calor mais intenso, em Portugal continental.

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Ondas de calor no verão de 2025

As ondas de calor nos meses de Verão (junho, julho e agosto), são as mais notórias e sentidas pelos seus impactos quando ocorrem naqueles meses, ainda que e segundo a definição de HWDI possam ocorrer em qualquer altura do ano.

No verão de 2025 ocorreram três ondas de calor, a primeira entre 15 e 20 de junho, a segunda entre 26 de junho a 9 de julho e a mais longa deste verão verificou-se entre 29 de julho e 17 de agosto.

A terceira onda de calor do verão de 2025 teve características excecionais quanto à sua extensão temporal, variando entre 6 e 17 dias, tendo sido a mais longa já registada em Portugal Continental, ocorrida na região Norte do território e Centro.

Em termos de magnitude média, no território Continental, nesta terceira onda de calor registou-se o valor de 78.8 °C.