Modelados
Dados
Fonte: ERA5/ECMWF, Copernicus Climate Change Service (C3S)
Método
A metodologia usada para a geração da climatologia modelada para o Território Nacional baseia-se na implementação do processo de downscaling dinâmico, com recurso ao modelo numérico de previsão do estado do tempo WRF (Weather Research and Forecasting Model) versão 4.2 (Skamarocket al. 2008).
O modelo WRF é um modelo não hidrostático, adequado para simular uma ampla gama de escalas espaciais, desde milhares de quilómetros até poucos metros, o núcleo do modelo tem uma ampla escolha de opções disponíveis no que toca as parametrizações físicas disponíveis para a sua execução. Condição que o torna num modelo bastante adequado para diversos fins, neste caso para fins de climatológicos.
O downscaling dinâmico, que é um processo essencialmente numérico e requer uma utilização intensiva de recursos computacionais o que implica um gasto apreciável de tempo na sua execução. De forma a minimizar os erros do modelo foram executados alguns testes de curta duração, onde se definiu o conjunto de parametrizações físicas que são usadas (seguem as definidas em Miranda, et al. 2020).
Com estes testes também foi evidente que a para reduzir o tempo de processamento computacional, no caso do Arquipélago dos Açores, a forma mais rápida de correr o modelo é dividir os Açores em três subdomínios de alta resolução, cada um deles a correr um diferente grupo de ilhas.
As simulações foram forçadas a cada 3horas com dados da reanálise ERA5 (Hersbach, et al., 2020), a configuração tem dois níveis de domínios encaixados de forma unidirecional, o domínio externo com resolução horizontal de 9 km (D2) e o domínio interno com resolução horizontal de 3 km resolução (D3/D4/D5).
As simulações históricas cobrem o período de 43anos (1979a 2022), tendo sido gerados dois períodos da normal climatológica, 1980-2010 e 1991-2020.
Este conjunto de indicadores climáticos:
- correspondem ao clima simulado para as 3 regiões, Continente, Arq. dos Açores e Madeira, e são disponibilizados em integrações mensais, sazonais, anuais e nos períodos das normais climatológicas (30 anos);
- estarão acessíveis para as seguintes agregações espaciais, Concelhos, Distritos, NUTS3, Regiões Hidrográficas, sendo que a estatística espacial contempla o valor mínimo, médio e máximo para cada Unidade Territorial;
- serão atualizados de acordo com a sua integração, sendo que as integrações mensais serão actualizadas no início (até ao 8 dia) do mês subsequente, dependendo da data de atualização do conjunto dados da reanálise ERA5.
Indicadores
A lista de indicadores climáticos disponibilizados nesta plataforma tem por base os indicadores utilizados nos processos relacionados com a monitorização mensal que o IPMA desenvolve.
Numa primeira fase foram processados os seguintes indicadores:
- Temperatura média, mínima e máxima do ar
- Número de dias com temperatura mínima do ar < 0Cº (dias frios)
- Número de dias com temperatura mínima do ar > 20Cº (noites tropicais)
- Número de dias com temperatura máxima do ar > 25Cº (dias de verão)
- Número de dias com temperatura máxima do ar > 35Cº (dias muito quentes)
- Número de dias com temperatura máxima do ar > 40Cº (dias extremamente quentes)
- Quantidade de precipitação
- Dias com precipitação >1mm (número dias com precipitação)
- Dias com precipitação >10mm (número dias com precipitação forte)
- Dias com precipitação >20mm (número dias com precipitação muito forte)
- Dias com precipitação >30mm (número dias com precipitação extremamente forte)
- SPEI 3, 6, 9, 12 meses
- SPI 3, 6, 9, 12 meses
- Indice de aridez
- Evapotranspiração de referência (ET0)
Erro
O conhecimento do erro associado à modelação climática é fundamental avaliar o desempenho das simulações tendo como perspectiva a representação do clima das regiões de Portugal. Para o efeito foi efetuada uma avaliação da precipitação e da temperatura máxima e mínima do ar para as simulações de downscaling do WRF, comparando o resultado do modelo com o conjunto de dados resultado dos programas de observação de superfície efetuados pelo IPMA. Com o objetivo de simplificar a comparação, todas as estatísticas têm por base as médias retiradas dos resultados individuais das diferentes estações disponíveis.
O modelo WRF foi validado com recurso aos dados observados na rede de Estações Meteorológicas do IPMA para as mesmas série temporais, sendo que os valores modelados para a temperatura do ar são também ligeiramente subestimadas.
Precipitação

Os resultados obtidos com recurso ao downscaling dinâmico (WRF/ERA5) foram analisados recorrendo à comparação com dados obtidos nas 109 estações meteorológicas (rede do IPMA e APA) para o periodo 1981-2010.
Em forma de resumo podemos afirmar que a precipitação , de uma forma geral, é subestimada pelo modelo para os locais onde as estações estão instaladas.
Os maiores valores da intensidade e dispersão de resíduos ocorrerem nos meses de Outubro, Novembro, Dezembro e Janeiro.
O mês de Julho é o mês com menor erro sendo também o mês com menor precipitação
O primeiro gráfico apresentado representa os valores observados menos valores modelados para o local de cada estação.

Na segunda forma gráfica está representada a mesma análise, valores observados menos valores modelados, apenas com a diferença em percentagem.
Na tabela seguinte os valores do RMSE, MAE e MBE
Temperatura do ar
O comportamento do modelo WRF apresenta resultados diferenciados para a temperatura mínima, média e máxima do ar.
Assim para a temperatura mínima do ar mantém os resíduos num intervalo de -3ºC a +3ºC, sendo que este intervalo diminui para, -2ºC a +2ºC, para o valor médio e para valor máximo da temperatura da ar.
O melhor desempenho do modelo verifica-se para a temperatura máxima do ar. Contrariamente a temperatura minima do ar apresenta um desempenho menos bom.
Na tabela seguinte os valores do RMSE, MAE e MBE
Observados
Dados
Fonte: Estações meteorológicas da rede do IPMA
Método
Os dados climatológicos disponibilizados nesta plataforma foram obtidos nas estações meteorológicas da rede nacional de referência climática, sendo que estas estações devem, pelo menos, registar os parâmetros temperatura do ar e precipitação, no entanto outros elementos climatológicos devem também fazer parte do programa de observação climática, nomeadamente direção e velocidade do vento, humidade do ar, pressão atmosférica, radiação solar e temperatura do solo.
A seleção das estações meteorológicas representadas nesta plataforma teve por base as seguintes características:
programa de observação contemplar os parâmetros descriminados;
- Atualmente em funcionamento;
- Pertença à rede atual do IPMA;
- Séries históricas longas disponíveis (com pelo menos 2 normais climatológicas, sempre que possível);
- Distribuição espacial representativa do território e por regiões;
O apuramento dos dados mensais foi efetuado de acordo com as normas da Organização Mundial de Meteorologia (OMM). Os valores em falta para os parâmetros temperatura do ar e precipitação foram complementados com dados de modelo, nomeadamente downscalling WRF (Weather Research and Forecasting Model) forçado com ERA5 (conjunto de dados de reanálise do modelo do ECMWF).
As series de dados de temperatura e precipitação das estações consideradas foram verificadas com testes de homogeneidade,tendo sido utilizado o software package RClimDex. Foram identificados em algumas estações breakpoints(variações significativas dos valores dos dados) que foram validados ou rejeitados após verificação da metadata (Figura desta seção com exemplo de Porto/P.R.).
Na figura apresentada identifica-se Breakpoint na série de temperatura máxima da estação meteorológica de Porto/P. Rubras
Para as normais climatológicas o processamento foi efetuado sobre séries de dados observacionais, devidamente validados por processos de controlo de qualidade. Para o cálculo das normais, determinam-se primeiro os apuramentos dos valores mensais de cada parâmetro, com base nestes, determinam-se os valores anuais e em seguida os valores médios nos 30 anos de acordo com a normas da OMM.