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Período excecionalmente chuvoso em 2025/26
Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, Portugal continental registou um dos períodos mais chuvosos das últimas décadas, sendo o 7.º trimestre mais chuvoso desde 1931 e o 2.º mais chuvoso desde 2000, atrás de 2000/2001. O ano hidrológico 2025/26 apresenta valores entre 1.5 e 2 vezes acima do normal na maioria das bacias, com várias regiões já próximas do total médio anual.
Janeiro de 2026 foi particularmente anormal no que diz respeito à precipitação, classificando-se como o 2.º janeiro mais chuvoso do século, com precipitação entre 150% e 300% da média em grande parte do território.
Este cenário resultou da persistência de circulação de oeste e do deslocamento para sul do Anticiclone dos Açores, que favoreceu um “comboio de depressões” em direção a território continental. Várias depressões sucessivas, incluindo a tempestade Kristin, que se intensificou por um processo de ciclogénese explosiva, originando rajadas superiores a 150 km/h, provocaram precipitação persistente, cheias, inundações e deslizamentos de terra em diversas regiões do país.
O clima em 2025: o 5º ano mais quente em Portugal Continental
O ano de 2025 foi o 5º mais quente desde 1931 e o 3º mais chuvoso deste século em Portugal continental.
Em 2025, o valor médio anual da temperatura média do ar, 16.47 °C foi superior em +0.81 °C ao valor normal 1991-2020.
Os últimos 4 anos estão entre os cinco mais quentes de sempre em Portugal (2022, 2023, 1997, 2024 e 2025).
O valor médio da temperatura máxima do ar foi 4º mais alto e o da temperatura mínima o 7º mais alto desde 1931, com anomalias em relação ao valor normal de +0.97 °C e +0.65 °C, respetivamente.
Em relação à precipitação, 2025 foi 3º mais chuvoso desde 2000. Há 11 anos que não havia um ano tão chuvoso em Portugal continental.
O total de precipitação anual foi 1064.8 mm com um desvio em relação ao valor normal 1991-2020 de + 245.5 mm.
Outubro de 2025 - a 6ª onda de calor do ano em território continental
Em 2025, Portugal continental registou pelo menos 6 ondas de calor até agora, caracterizadas por temperaturas máximas excecionalmente elevadas, destacando-se episódios prolongados e intensos no final de junho e entre julho e agosto, sendo este último o mais longo de sempre nas regiões do interior Norte e Centro (29 de julho a 17 de agosto).
No início de outubro, verificou-se um novo e anómalo episódio de calor prolongado, configurando a 6.ª onda de calor do ano, que durou de 10 a 19 de outubro e afetou 65% das estações meteorológicas. As regiões mais atingidas foram Lisboa e Vale do Tejo, grande parte do Norte (Trás-os-Montes e Alto Douro) e áreas do Alto e Centro Alentejo. As estações de Mora, Pegões, Torres Vedras (Dois Portos) e Rio Maior registaram 9 dias consecutivos em onda de calor, refletindo a persistência excecional deste evento, que ocorreu fora da época habitual de calor mais intenso, em Portugal continental.
Ondas de calor no verão de 2025
As ondas de calor nos meses de Verão (junho, julho e agosto), são as mais notórias e sentidas pelos seus impactos quando ocorrem naqueles meses, ainda que e segundo a definição de HWDI possam ocorrer em qualquer altura do ano.
No verão de 2025 ocorreram três ondas de calor, a primeira entre 15 e 20 de junho, a segunda entre 26 de junho a 9 de julho e a mais longa deste verão verificou-se entre 29 de julho e 17 de agosto.
A terceira onda de calor do verão de 2025 teve características excecionais quanto à sua extensão temporal, variando entre 6 e 17 dias, tendo sido a mais longa já registada em Portugal Continental, ocorrida na região Norte do território e Centro.
Em termos de magnitude média, no território Continental, nesta terceira onda de calor registou-se o valor de 78.8 °C.